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sábado, junho 18, 2005

UHF: HOJE, COMO EM 1985, NA DEFESA DO ROCK PORTUGUÊS 

Faz hoje precisamente vinte anos que António Manuel Ribeiro (AMR), líder de sempre dos UHF, foi capa do Blitz (nº 26, 30 de Abril de 1985).

AMR, em entrevista a Luís Vitta, fazia o ponto da situação (“UHF: Cinco Anos Depois, A Mesma Força”, páginas 8 e 9).

Segundo o jornalista, referindo-se ao vocalista, “a sua voz é de desânimo, muito mais rouca e também mais triste”, “lembra-se com alegria quando recorda a primeira formação da banda, com Zé Carvalho e Carlos Peres”, “parece que ele curtia muito mais os UHF do passado do que os UHF de agora”. “O Zé Carvalho, baterista, está na Madeira, a trabalhar na revenda de discos, enquanto Carlos Peres trabalha no Registo Predial, em Almada”.

A (descrição da) conversa continuava assim: “O António hoje já fala em fazer um disco a solo. Pensa formar uma banda nova para o seu projecto”. “Gostaria de formar uma banda jovem para me acompanhar. Esta banda não teria nada a ver com os UHF, que continuaria a sua vida à parte, a sua trajectória normal”. “O seu projecto a solo é uma das poucas coisas de que ele me fala com alegria e força”.

Independentemente das sucessivas formações que surgiram depois, queria destacar o facto da primeira formação estar no fim, contribuindo para levar AMR ao desalento. No entanto, a garra e o bichinho, lá no fundo, permaneciam bem vivos. Hoje, passados vinte anos do LP gravado ao vivo em Almada, creio que ele finalmente encontrou os tais jovens de que falava e, embora tenha gravado dois álbuns a solo (“Pálidos Olhos Azuis” - 1992 e “Sierra Maestra” - 2000) encontrou o grupo certo para prosseguir o seu verdadeiro projecto a solo, os UHF.


E se já com esta formação deu continuidade ao seu descarado projecto a solo, por outro lado, sente-se que já não é a solo. Hoje estamos perante um gang, pois na relação entre AMR, António Côrte-Real, Fernando Rodrigues e Ivan Cristiano nota-se a cumplicidade que os liga, a contribuição e a influência que todos os elementos têm na composição dos temas, como o mais recente álbum o comprova, e a amizade que os une, mais visível nas actuações ao vivo, embora AMR continue a ser, naturalmente, pelo passado, experiência, sabedoria e carisma, o eterno líder, mas também um “pai” para todos os seus companheiros da banda, pelo respeito que suscita e admiração que merece.

Uma coisa é certa: hoje, ele já não pode sentir-se só, nem continuar “quase que solitariamente, a falar do rock português”. Luís Vitta afirmava, em jeito de conclusão da entrevista, a propósito de AMR. “A sua guerra: defender o rock português. Ainda.”

Pois bem. Volvidos vinte anos, agora muito bem acompanhado pelos outros três membros da banda, AMR e os UHF continuam esta luta. “Há Rock No Cais” é a pedrada que se impunha no charco rock lusitano.

Na sua “Crítica: UHF – O disco que já ninguém esperava”, publicada a 9 de Abril no “Canal Maldito” (http://www.canalmaldito.blogspot.com), Luís Silva do Ó rematava: “O rock português bem precisa de um grande êxito e de um novo fôlego. Será que esse grito vai surgir donde menos se esperava?”.

Em meu entender, o grito está dado, ressoa e ecoa por aí, de norte a sul do país (só não o ouve quem anda muito distraído ou quer, pura e simplesmente, tapar os ouvidos) e ainda bem que veio da minha banda favorita. Se será um êxito comercial, não o sabemos (até porque isso depende de variadíssimos factores), mas sucesso já ele está a ter. Basta ir aos concertos e ver o entusiasmo a despertar nalguns, a contagiar outros, a intensificar-se nos mais fiéis e a renascer naqueles que andavam arredados…

Nuno Martins, Oeiras.

Originalmente publicado em
http://pensamentototal.blogspot.com (30.04.2005).



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