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quarta-feira, maio 25, 2005

Uma História Factual 

Uma noite de glória, aconteceu dia 8 de Maio de 2005 em Faro.

A 3 horas de Lisboa, Faro é uma cidade pacata e triste, mergulhada infinitamente num ambiente depressivo. Anualmente dois eventos retiram a antiga Ossónoba dessa fase de letargia em que a urbe se encontra mergulhada: A Semana Académica e a Concentração Motard. Sobre esta última, espero para o ano fazer um pequeno relato e certamente que a modesta prosa melhorará com o relato da actuação dos UHF.
Maio é data de realização da Semana Académica, uma das maiores manifestações do género em Portugal e que já vai na sua XXª edição. Este ano o local escolhido para a realização do evento foi o estádio municipal cujo piso sintético dava mostras de avançado estado de degradação. A agenda era ampla e muito ecléctica. A minha preferência ia para dia 8. No cartaz duas bandas nacionais: UHF e Toranja. A contenda prometia. No final o herói estava encontrado. Mas estaria o herói contrário acessível às nossas mentes? Veremos no final.

História para ser recordada, como diria um velho amigo no final do espectáculo.

Minutos antes do concerto uma chuva despropositada de pingos pesados e cortantes, quase sintéticos, como algumas palavras de mentes pseudointelectualóides deste país, afastara o público e empurrara-o para a grande tenda situada no lado oposto ao palco.
Apesar da chuva, os primeiros acordes dos lendários UHF fizeram convergir a multidão para o recinto. Este fenómeno conhecido na natureza por tropismo (p. ex. fototropismo) nunca antes tinha sido descrito nos meios musicais. Em face do paralelismo propõe-se a expressão UHFtropismo.
Iniciando a sua prestação com o tema “Matas-me com o teu olhar” retirado do último trabalho “ Há Rock no Cais”, os UHF davam o mote para um concerto memorável.
A formação engrenou inteligentemente novos e velhos temas de forma perfeita. Sublinhe-se a qualidade do som ao longo de todo o espectáculo, o inesperado e pujante “Juro que tentei” do último trabalho bem como o velhinho e sempre surpreendente ”Na tua cama”. Quando a banda, no encore, iniciou o “Sou Benfica” já a multidão cantava o referido hino em uníssono. Era o delírio. Os UHF terminavam em apoteose. Os UHF mereciam esta noite.
A força musical e a mensagem dos temas e o calor dos presentes intimidou a chuva, só regressando no final do actuação.
Seguiram-se os Toranja mas ...a noite terminara.
No final uma amiga dizia “ Os UHF foram os únicos que fizeram levantar a galera”. E foi!

Factual: Descrição apenas de factos onde não cabe a subjectividade. Foi assim que aconteceu essa noite de 8 de Maio e que aqui deixo expresso.

Na estrada desde finais de 1970, o Canal Maldito liderado pelo mítico AMR, deixou Faro com a sensação do dever cumprido.
Como na História, houve um Herói. Nessa noite, eles foram os UHF.
No conceito de herói está implícito o herói contrário. Mas o herói contrário não foram os Toranja. Actualmente em Portugal a comunicação social, personificada nos Blitz que vegetam por aí, são poder e bem mais virulentos do que os bonacheirões velhos do Restelo de outros tempos. Pela genuinidade da adesão maciça do público, nessa noite sobressaiu um herói contrário: os media.
Em Portugal o que é não é. O país transformou-se num grande Código da Vinci. Um autêntico criptograma!

UHF: Sempre pela estrada fora. Sempre a espalhar rock pelo país.

Diamantino Sousa



terça-feira, maio 24, 2005

Comentário ao Jornal Blitz - por Sérgio Costa 

Recordo-me da há cerca de dois anos por alturas de “LA POP END ROCK” alguém que eu não me recordo fazer uma comparação entre aquele disco dos UHF e os PINK FLOYD , comparação essa que obteve logo reacções negativamente engraçadas que quase passaram um “atestado de burrice” ao autor do artigo. Pessoalmente o LA POP não tinha nada a ver com os FLOYD mas o que eu acho piada é a veloz prontidão que existe nalguns desconhecedores da historia dos UHF para criticar, alguns deles chegando mesmo a roçar a ignorância, tal como aconteceu recentemente em relação a um tal de Miguel Cunha num artigo do jornal Blitz. Há duas pequenas frases que registei nesse artigo que são “mais do mesmo” e “continuam sem mudar”. Só alguém que não conhece pelo menos o passado recente da banda poderá, eventualmente, comparar este disco com o seu antecessor. Um dia numa breve conversa teclada com o Côrte Real dizia-lhe que a fasquia que o LA POP tinha deixado tinha sido muito alta e que este disco não a iria superar e o Tó respondeu-me: “Olha não cometas o erro de tentar estabelecer algum tipo de comparação porque são dois discos totalmente distintos…” e eu percebi o que ele me estava a dizer, tinha razão quando ouvi este novo disco de principio a fim. Este é um disco de regresso ás origens (guitarra, baixo, bateria e voz) feito provavelmente a pensar nos concertos tal como o SANTA LOUCURA tinha sido, e não é um disco conceptual como LA POP tinha sido. Portanto, este disco não é mais do mesmo em relação último trabalho da banda, agora as semelhanças estão lá como estão em todos os discos desde que a caminhada começou. Se tivermos em conta o passado discográfico não me parece que se olhar-mos por exemplo discos como o NOITES NEGRAS , a COMÉDIA HUMUNA e a SANTA LOUCURA apesar de serem mais comparáveis acabam por ser diferentes sem que alguma vez o som UHF tenha sido apunhalado. Por vezes só o facto de as letras serem composta nesta ou naquela altura já é o suficiente para que as coisas venham a funcionar de forma diferente tal como aconteceu com a COMÉDIA que foi escrito em plena guerra do Golfo e falou precisamente nisso, nas causas e nas consequências da ignorância humana, NA GUERRA.
Se atrás chamo ignorante a este jornalista não é por desrespeitar a sua opinião em relação a este disco mas sim porque não posso aceitar que ele diga que este disco “é mais do mesmo” pelo simples facto de que de certeza ele não conhece a discografia da banda. Agora, por este tipo de coisa (e por muita liberdade que se tenha para dizer e escrever) morreram muitas bandas, umas à nascença outras passados dois ou três discos gravados e neste caso à que ter uma certa contenção e ter mais respeito por quem tem uma história de mais 25 anos de rock e só um Burro pode Zurrar que aquilo que foi feito após o À FLOR DA PELE é tudo igual. Mas pronto, eu já estou habituado a este tipo de situação em relação aos UHF. É a tal perseguição sacana feita provavelmente pelos invejosos que cada vez que sai um disco lá vêem eles prontinhos para mandar abaixo. Engraçado é que me parece que os XUTOS (de quem eu gosto) nunca fizeram mais do mesmo.
Já agora aproveito para dar os parabéns à banda pelo novo disco (apesar de não estar entre os meus discos de eleição) sabe bem ouvi-lo bem alto.

CUMPRIMENTOS AOS UHF E A TODOS OS AQUELES QUE CONTINUAM TAL COMO EU A ROlAR PELA ESTRADA DO ROCK

Sérgio Costa Silves - Algarve



segunda-feira, maio 23, 2005

UHF: ASSOMBRO E DESCOBERTA 

O meu primeiro concerto dos UHF foi a 8 de Agosto de 2001, no Casino Estoril. Lembro-me de estar com a minha namorada, de termos vibrado, de termos cantado, cúmplices, “Um Copo Contigo”. Recordo-me de falar com os meus pais, que estavam em Montalegre a ver Jorge Palma e de dar os parabéns à minha mãe, que fazia anos nesse dia. Senti, na altura, ter regressado à minha infância. Havia algo de familiar. Afinal, “Cavalos de Corrida” e “Rua do Carmo” eram companhia garantida para quem dava os primeiros passos no início dos anos 80 e tinha um pai sempre atento a tudo o que nos rodeava.

Esse concerto fez-me querer ir mais além. Nos dias que se seguiram, comprei na FNAC Chiado a colectânea “Cavalos de Corrida – Projecto Caravela” (1996) e o álbum original “À Flor da Pele”. Ouvia os CDs quase diariamente e na altura tudo se conjugou para fazer sentido. De facto, além de estudar em Lisboa, namorava em Lisboa e trabalhava umas horas na Hemeroteca Municipal de Lisboa (Rua São Pedro de Alcântara, 3). A este propósito, anotava num livro que comprei a 25 de Outubro de 2001: “Recordação dos dias passados na Hemeroteca, gingando pelo Bairro Alto, olhando a vida pelos óculos no Largo Trindade Coelho”.

Daí que temas como “Cavalos de Corrida”, pela rotina dos dias, “Rua do Carmo”, ali tão perto, “Nove e Trinta”, porque os tempos eram mesmo duros, de trabalho, fizessem parte da minha vivência enquanto “Rapaz Caleidoscópio”. As “Noites Lisboetas” eram vividas intensamente, entre copos e bebedeiras com o meu “Modelo Fotográfico”, qual “(Anjo) Feiticeiro” com o qual me libertava e descontraía. E porque entre a vida e a morte, “Estou de Passagem” pelo céu e pelo inferno dos dias, pela consciência do efémero doseava estes dois extremos.

Entretanto, comprei o duplo CD “Eternamente” (1999) e a poesia fundiu-se com uma fotografia mística. O impacto que em mim provocou só tem paralelo nas melhores imagens de Che Guevara. A legenda (Pavilhão do Restelo, Lisboa – 1981) e a lenda foram depois sucessivamente desmistificadas, comprando os discos, ouvindo as canções, frequentando os concertos, lendo.

Mas o percurso não foi fácil. Era complicado aceitar que estava viciado no som e na poética dos UHF. A 3 de Julho de 2003, após mais um espectáculo no Casino Estoril, escrevia: “Esta noite, os UHF deram um dos melhores concertos a que já assisti. Todavia, por razões que eu próprio desconheço, não consigo entender a minha relação de amor-ódio com a banda. É algo que não consigo explicar.”

Na verdade, nunca fui de ficar preso a qualquer coisa que não represente um ideal em que vale a pena acreditar e/ou por que vale a pena lutar. Talvez por isso, somente os artistas de intervenção e as bandas militantes me tenham tocado mais fundo, a partir do momento em que a minha consciência adquiriu um grau de maturidade tal, que todas as áreas de actividade (política, música, poesia, pintura, filosofia, teatro, etc.) e tudo o mais que fosse arte ou pensamento, atingiram um ponto de confluência e de interligação no meu pensamento, relacionando-se, interagindo, dialogando, quebrando barreiras e fronteiras. Sempre procurei e procuro ser, tal como Bento de Jesus Caraça o foi, um militante integral do Ser Humano. Contudo, a emoção escapava à razão, provocando uma guerra civil dentro de mim.

Levei algum tempo a aceitar “O Erro de Descartes” (António Damásio), mas tive de me render à evidência. Como alguém disse, “a música tem profundas relações com o imaginário colectivo, com a literatura, a arte e a estética” e “à unidade metodológica e ética da obra responde uma abundante diversidade de temas, de interesses, de disciplinas, e mesmo de estilos”. É assim que vejo o projecto dos UHF. Aceitei a empatia e aprofundei o conhecimento, desafiando memórias que despertam e um destino a descobrir. A admiração foi crescendo, a emoção foi-se apropriando da razão, canção após canção.

Há quatro anos soltei amarras e prometo continuar a espalhar cinzas por aí.

Nuno Martins, Oeiras.

Originalmente publicado em http://pensamentototal.blogspot.com



segunda-feira, maio 16, 2005

Ao Jornal Blitz - por Diamantino Marques 

Depois de ler o artigo escrito no jornal Blitz Nº1070 de 3 de Maio de 2005, por Miguel Cunha sobre o álbum “Há rock no cais” dos UHF, senti o direito democrático de me manifestar e responder.

Ao Miguel Cunha.

UHF
Há Rock no cais

Sim há Rock
UHF Sempre foi Rock
Será sempre Rock
E aqui há Rock
Portugal = Rock Português

“A culpa é dos UHF”
- Que culpa?
- Que mal tem o “Rock Português”?
- É ou não Português?
- Porque Rock é de certeza!
- Ou então vejamos!
Rock é dançando na noite, La pop end Rock, Há rock no cais
- Alguma duvida?
“Não é uma novidade”
- Na verdade até não precisa de ser nenhuma novidade, porque os UHF são sempre iguais ás suas origens, ou se gosta ou não.
E há quem não goste e venha por vários meios manifestar-se publicamente nos órgãos que deveriam ser de informação e não de difamação
“É mais um volume para os fiéis”
-Para os fiéis seja do que for, são precisos relatos verdadeiros e conhecimento da matéria que se analisa.
Ou seja para cada especialidade o seu especialista, uma coisa é certa esta nunca foi nem é a tua.
Porque de certeza que com o teu apelido de Cunha, assim também a CUNHA dos “outros”favorece os “outros” que no singular e pessoal pensam em vez de no plural e na generalidade aprofundarem a verdade.
“Ao qual os outros permanecerão rigorosamente indiferentes”
- Quem são os outros?
- Serão aqueles que por influencia da CUNHA, apenas são do contra?
- Como asnos que só vêem numa direcção, apenas para onde estão voltados
-Que nem sequer dão a oportunidade ao que não conhecem fielmente ou simplesmente ignoram por complexo de falsa superioridade.
“Simplicidade de meios e um refrão autocolante”
-Simplicidade?
-Não será a simplicidade e a originalidade o meio dos UHF?
-Ou que um refrão autocolante, irrita quem é complexo e de modas.
-Uma coisa é certa, UHF não é de modas nem nunca o foi, nem no início da sua carreira chegou a ser uma moda.
-Mas foi sim uma chave importante para a evolução do Rock em Portugal cantado na língua oficial deste País, linguagem essa que é acessível a qualquer Português que defende o que há de BOM “Made in Portugal” este sim é o autocolante actualmente invisível por “outros”
“Diz-se por vezes que todo o Mundo é feito de mudanças. Isso não se aplica aos UHF”
-Então é assim, UHF é uma banda de carácter dinossáurico e ainda activa que mais mudanças já fizeram desde a sua formação inicial
Porque?
- Isto para manter o culto á definição do Rock, puro, cru e genuíno dos UHF
- E para relembrar e informar talvez educar, sim educar os “outros”. Que todas as bandas genuínas como Beatles, Rolling Stones, Led Zeppelin, Doors, Pink Floyd, Deep Purple, Iron Maiden ,etc.
-Qual foi a mudança para fora da sua origem?
- Apenas evoluíram o que os identifica, o mesmo se aplica aos UHF.
Para terminar uma sugestão para quem afirma que os álbuns dos UHF tem sido basicamente como o “À flor da pele”
- Para a próxima vez que tenhas Curiosidade ou humildade que te falta, de ouvir UHF e poderes fazer melhor julgamento dos outros álbuns que possivelmente desconheces.
-Recomendo-te a ouvir: “Noites negras de azul”,”Comedia humana”, “Santa loucura” e “La pop end rock” e “Há rock no cais” novamente.

Para a próxima tenham o respeito pelos leitores do vosso jornal, que também é nosso e escolham os jornalistas certos para cada especialidade aprendam a ser profissionais e menos propagandistas.

Diamantino Marques



Lamoso, 07 Maio 2005 

Assistir a um concerto dos UHF é sempre uma festa cheia de energia, sedução, cerveja e rock. Os UHF estão melhor do que nunca, o som é potente, as luzes são um espectáculo e a música (que é o que interessa mesmo) é excelente. O espaço abarrotou de gente e os UHF responderam com toda uma carreira de sucessos e ainda com 2 canções do novíssimo disco: Matas-me com o teu Olhar e Juro que tentei. No final toda a gente queria mais e a banda voltou para fazer a festa com o povo. Grande concerto em Lamoso, um dos melhores concertos a que já assisti dos UHF. Gostava que no futuro a banda tocasse ao vivo mais temas do último disco pois já o comprei e acho que merece maior destaque nos concertos.

Pedro Filipe



sexta-feira, maio 13, 2005

Blitz! Porquê o Ódio? 

Após as criticas ao novo disco dos UHF "HÁ ROCK NO CAIS" publicadas nos Jornais Blitz e Correio da Manhã, a indignação de dezenas de fãs do grupo tem sido manifestada nas páginas deste Blog e no chat do site da banda. Foi proposto por alguns participantes, nos comentários ao texto anterior, criarmos um espaço para que a opinião de cada um de nós, sobre os escritos que apareceram nessas publicações, possa ficar registada. Assim, no espaço de comentário deste texto, podes comentar, escrever opiniões sobre o disco ou sobre os Jornais em questão ou até mostrares a toda a gente o mail que mandaste para o Blitz ou Correio da Manhã e que não tenha sido publicado, visto no caso do Blitz existir o espaço a Voz do Povo onde esses mesmo textos podem aparecer. Deixamos ainda o link blitz@blitz.pt para que possas, caso queiras, expressar a tua opinião perante o mesmo.



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