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domingo, abril 18, 2004

UM PURO SANGUE 

AMR e Sérgio Costa

26 ANOS PELA ESTRADA DO ROCK

Uma das boas recordações que tenho da minha infância chama-se “ CAVALOS DE CORRIDA”, recordo-me como se fosse hoje que juntava todas as moedinhas para ir até à musicbox do salão de jogos que ficava perto de minha casa para ouvir os cavalos, não sei mas às vezes penso que essa canção é o meu emblema , a minha marca, nos últimos 25 anos esteve sempre comigo e é difícil estar dois dias seguidos sem ouvi-la. Com 8 /9 anos de idade tive o prazer de acompanhar bem de perto o “Bom do rock português” assistindo aos concertos das bandas que todas as semanas passavam pelo castelo da minha cidade. Rui Veloso, Táxi, Rock e Varius passaram todos por cá. Os UHF estiveram no campo de futebol do meu Silves F.C com a Go Graal Blues Band do Paulo Gonzo durante a festa da Paz e da Cultura. Recordo-me pouco dessa noite mas lembro-me que estava imensa gente e claro recordo-me de que estava em cima da baliza quando estoiraram os cavalos. De todas as bandas, os UHF sempre foram dos meus preferidos só que nessa época para quem vivia cá em baixo a informação tardava a chegar e era difícil fazer um acompanhamento regular sobre a vida das bandas nacionais ( viva o viva música). Depois do sucesso de “À flor da pele” e do mini lp “Estou de passagem” deixei de acompanhar tão de perto a vida da banda. O meu amigo Batata era o gajo desta cidade que comprava os discos e que curtia verdadeiramente os UHF, aliás, ele era um louco pelo rock nacional tinha mesmo muita coisa. Passados uns anos quando saiu o “NOITES NEGRAS DE AZUL” regressei em força aos UHF e fui buscar parte das coisas que tinha deixado ficar para trás, as canções e a história. Atenção para mim o NOITES NEGRAS DE AZUL é o melhor disco rock da música Portuguesa e foi este o disco que me levou a aderir em força a este culto que se chama UHF. Guardo religiosamente as minhas cassetes e os discos de vinil (que não são todos meus) na minha biblioteca musical como se de autênticas obras de arte de grande valor (aquelas obras que depois de vendidas deixam um gajo rico) se tratasse.

Em 7 de Fevereiro de 1992 resolvi ir à festa dos UHF no Coliseu dos Recreios em Lisboa ( Sitiados na 1ª parte ), uma noite de rock absolutamente fantástica, os UHF estiveram soberbos e desfilaram muitos dos êxitos da sua carreira. Recordo-me que passei por momentos difíceis, uma vez que à frente do palco era só ferro e madeira partida, como foi possível não tirarem as cadeiras do Coliseu? Parte do Coliseu ficou destruída. Nessa noite era uma espécie de enviado da Rádio Racal e quando cheguei a Silves tive direito a um programa em directo para falar sobre o concerto. Não me lembro se foi antes ou depois do Coliseu mas também me cruzei com os UHF em Alvalade na 1ª parte dos Simple Minds, eu destoava de toda a gente porque tinha um cartaz a dizer UHF e todos pareciam olhar para mim. A banda só tocou 4 canções entre elas a minha favorita “ Sonhos na estrada de Sintra” e depois foi convidada a abandonar o palco no momento em que o António apresentava os Cavalos… “ HÁ 11 ANOS ELES ERAM… NÃO ERAM …” Lembras-te António? Eu nunca esqueci as tuas últimas palavras naquele fim de tarde.

Nesta altura eu nem sonhava o que estava para vir nesta minha relação com o rock e com as canções da banda. Tinha começado o ano de 93, eu estava a terminar o 12º ano e era vice-presidente da Assoc. de Estudantes da Escola Secundária de Silves. Há muito que tínhamos a ambição de fazer um concerto com uma banda nacional e como grande parte da malta estava a terminar o secundário eu e meu presidente Vasquinho entendemos que havíamos de sair em grande e decidimos realizar um grande concerto com uma banda de nome. Claro que a malta ficou toda inclinada para os Xutos e eu aos poucos fui contornando os obstáculos que me iam aparecendo no sentido de convencer a malta a optar pelos UHF. Assim foi, muito por culpa do álbum “Santa Loucura” que já rodava nas rádios com “ Um copo contigo “ e com a “ Menina estas à janela”. Organizar este concerto foi qualquer coisa de espectacular, foi acima de tudo uma aventura que deixou imensas histórias por contar e momentos inesquecíveis. Passo à frente, até ao dia em que conheci pessoalmente o António, foi na Rádio Racal uma semana antes do dia 1 de Maio data marcada para o concerto, ele veio até cá baixo fazer a promoção do álbum que estava a sair. Como a rapariga da rádio estava toda assustada por estar pouco documentada para fazer a entrevista pediu-me para colaborar e, claro que eu me cheguei logo à frente. Eu estava já sentado em frente ao micro quando o António entrou fazendo-se acompanhar pelo Fernando Delaere (o baixista), cumprimentamo-nos e pimba começamos a conversar em directo (até hoje guardo a sete chaves a gravação dessa conversa). Eu por vezes ouvia falar que o António era um tipo arrogante, nariz empinado e tal, mas o António desde o primeiro momento mostrou ser alguém acessível e com o verdadeiro espírito daqueles que fazem do rock o seu culto, para mim é sempre um prazer poder trocar ideias com o António. O concerto realizou-se no castelo de Silves teve um ambiente espectacular (está filmado e guardado num cofre – não o empresto nem à minha mãe…) e foi um sucesso. Foi um dia espectacular e uma noite bem regada ao sabor do whisky que terminou com uma sessão de autógrafos em Albufeira numa discoteca que nos patrocinava. Em 93 ainda assisti a vários concertos da banda, incluindo o da Festa do Avante e convivi algumas vezes com os músicos, gostei imenso de conhecer o Delaere (fumava SG crava), o Rui Dias e o Renato Júnior. Após alguns anos voltei a reencontrar os UHF num concerto do 25 de Abril (uma noite bem regada naquele bar tão pequenino nas ruas estreitas de Monchique) e poucos meses mais tarde na praça Sony em Lisboa na festa dos 20 anos de carreira. Sobre essa noite guardo a lembrança do momento em que o Renato Gomes e o Peres subiram ao palco, foi brutal - “ Mãe tu és a última ponte a última loja aberta antes do recolher propicio hem…” ,“ Geraldine foi violada no quarto da mãe e agora passeia estoirada no ritmo que a vida tem…”. Após o concerto seguiu-se o bar onde os UHF também tocaram e onde eu tive privilégio de pessoalmente poder dar os parabéns ao António pelos seus 20 anos de carreira. Até hoje cruzamo-nos em Beja e no passado sábado (10-04-04) em Lagoa em mais uma noite rock (e de frio também) e hoje daqui a 3 horas o António estará na biblioteca de Portimão para a promoção do seu livro de poemas e eu não vou poder estar presente (mas já me justifiquei via telefone).

Neste momento e olhando para o actual panorama musical do rock nacional aparecem os UHF e os Xutos transportando a bandeira do rock e fiéis a todos os seus princípios. São sem dúvida os embaixadores do Rock Nacional. No entanto existem sempre aquelas dúvidas que pairam no ar: Porquê a celebre dança dos músicos? Que relação existe entre os Xutos e os UHF? O Zé Pedro esteve no coliseu porque é que os UHF não estiveram no disco do tributo? Para quando mais um “live” dos UHF? Para quando a edição do Noites negras (e de outros discos) em cd?

Ao António já lhe enviei o meu grande agradecimento pela sua persistência e pelos 25 anos de carreira e agora faço-o aqui a todos aqueles que passaram pela família dos UHF e que ajudaram a que os UHF tenham sido ao longo de tantos anos uma referência importante do rock feito em Portugal.

CUMPRIMENTOS A TODOS OS FANS. PARA TI, ANTÓNIO, AQUELE ABRAÇO (pena que esta noite não tenhas podido jantar em Silves) AOS ACTUAIS UHF UM ABRAÇO (saudação especial ao Corte Real - é pá vai dando noticias)

UM Puro-sangue UHF

SÉRGIO COSTA - SILVES , 16 DE ABRIL DE 2004








sexta-feira, abril 16, 2004

Concerto em Lagoa - 10 de Abril - 2004 

Estava um frio de rachar em Lagoa nesta linda mas grisa noite de 10 de Abril. Até a alma me tremia... Mas ao mesmo tempo a vontade de ver os UHF ao vivo aquecia-me por dentro! Já lá iam dois meses e tal desde o último concerto... e a vontade estava mesmo a apertar. A curiosidade era crescente pois as novidades no site da banda e nos mails, mandados pelo mailling list para os fãs, aguçavam a curiosidade em relação a novos temas para um novo disco, a sair ainda este ano!!!

"Matas-me com o teu Olhar" deu-me vontade de comprar o disco, do que eu não estava à espera era de ficar arrasado com as novas estreias: " Há Rock no Cais" e "Viciado em ti". A primeira é um rock deambulante, com as guitarras para a frente e a secção rítmica pujante a fazer lembrar "Geraldine", a segunda é um punk na onda da "Caçada" mas com um refrão orelhudo que ainda hoje me anda a fazer visitas cerebrais sem avisar :) . Os UHF brindaram-nos com 3 temas novos que estão ao nível do melhor de sempre a que a banda já nos habituou. O repertório, mais curto que em Glória do Ribatejo, devido provavelmente à hora tardia de entrada em palco, esteve perfeito, só faltando mesmo "Jorge Morreu", "Rapaz Caleidoscópio", "Geraldine" e "Joey Ramone".

O primeiro momento alto da noite foi "Matas-me com o teu Olhar", seguido de "Brincar no Fogo", o fabuloso "Os Putos vieram divertir-se" (do cd "LA POP END ROCK"), depois "Na Tua Cama" e " A Lágrima Caiu" (também do "LA POP END ROCK"). O segundo momento grande chegou com a segunda canção nova "Viciado em Ti" onde se notou o orgulho do António Manuel Ribeiro nos momentos de inspiração do seu primeiro rebento! As cabeças começaram a andar para trás e para a frente ao sabor da distorção e do beat acelerado da bateria. "Há Rock no Cais", a terceira canção do próximo disco tocada esta noite, ficou marcada pelo bater do pé ao balanço da melodia por todos os presentes (Neil Young estaria por ali?!!!). E os cavalos para terminar, os inesquecíveis "Cavalos de Corrida"... ainda hoje ponho a rodar de vez em quando o já há muito gasto vinil!!! Mesmo com o barulho dos riscos do plástico continuo a ter um gozo enorme nesta canção.

Foram 20 canções que nos aqueceram nesta noite tão fria (1h30 de espectáculo!). A única nota negativa fica mesmo para a organização. Não se admite que a banda da noite entre em palco às 2h15 da manhã!!! Não se admite que haja duas bandas de covers antes de uma banda Rock como os UHF. Os Karpe Diem estiveram muito bem, como já começa a ser, e ainda bem, costume. As bandas de covers deveriam ter tocado depois dos UHF para fazer vender a cerveja e as bifanas. Obrigado UHF!

Só eu sei porquê





(Lagoa- 10 de Abril de 2004 - Fotos de Sérgio Costa)




sexta-feira, abril 09, 2004

"...Foi um bocado a causa de tudo isto..." (AMR, Julho 13) 

Os que assistiram a esse fantástico concerto (e os que têm a sorte de possuir o cd "As canções de 'Julho 13' ", que bem merecia uma reedição) recordam certamente essa frase do António Manuel Ribeiro. Para viajar um pouco no tempo, aqui ficam as palavras...


JORGE MORREU

Ele andava por aí
Como tu e eu andamos
Queimando um cigarro
Queimando os nervos.

Nevoeiro no cérebro
Num bailado de fantasmas
Entre o frio e o zelo
E a importância dos notáveis.

Jorge morreu

Ele tinha a tua cara
Ele tinha a minha cara
Ele era ninguém
Que a vida desafiava.

Jorge um dia passou
À frente da ventania
Entoando o refrão
De uma velha melodia.

Jorge morreu

Deixou a cidade
Subiu à montanha
Entrando na paisagem
Onde um homem se amanha.

Jorge parou
Os ponteiros da vida
Mergulhando os olhos
Num mar de água fria.

Jorge morreu

Jorge, Jorge
Onde estás? Ounde estás?
Quem te matou? Quem te matou?

Texto e música de António Manuel Ribeiro
( Originalmente gravado no EP "Jorge Morreu", 1979 - Metro Som )






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